Editorial

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O GOVERNO e 12 empresas de capitais nacionais e estrangeiros rubricaram, na abertura oficial da conferência sobre adição de valor com base em minerais e recursos energéticos disponíveis (CAVAME-d), realizada semana passada na cidade portuária de Nacala, em Nampula, igual número de memorandos de entendimento para a implementação, nos próximos anos, de projectos avaliados em 4,2 mil milhões de dólares.

Estes empreendimentos visam a instalação de indústrias de transformação, a nível interno, dos recursos minerais, ao abrigo das leis de Minas; de Petróleos; e do Conteúdo Local.

O objectivo é criar valor para Moçambique e para o seu povo, processando os recursos do país para que saiam sob a forma de produtos acabados ou semi-acabados, traduzindo uma escolha estratégica para o futuro da economia nacional. Desta forma, estarão constituídas as bases para a industrialização e diversificação económica, uma visão projectada para a criação de emprego, principalmente para a juventude e a mulher moçambicana, bem como a melhoria das condições de vida dos cidadãos.

Ao transformar os seus recursos, o país ganha maior presença na economia mundial, para além de que os minerais transformados internamente geram oportunidades para os moçambicanos. Esta é a perspectiva do Presidente da República, que abre uma nova etapa, em que o país avança na identificação dos recursos para a sua valorização, da extracção para a transformação e do potencial económico para resultados concretos na vida das pessoas.

Há muitos anos que os recursos nacionais vêm sendo exportados em bruto para a sua transformação no exterior, o que constitui uma gigantesca perda para o país. Podemos citar o exemplo da madeira exportada em toro, resultando em múltiplas vantagens comerciais para os países de destino.

A partir de determinados países, famílias e instituições nacionais importavam, por exemplo, mobílias com bons acabamentos, sendo que o custo de tudo isso reflectia-se na saída de divisas, que poderiam ser usadas para outros fins vantajosamente expressos. Com a aposta na transformação local dos recursos, o país sai a ganhar, pois são mais empregos para os jovens e mais divisas poupadas em favor da economia.

Essa visão do Governo é, pois, estratégica e projectada para a independência económica do país. Mostra preocupação e compromisso com a pátria, com o povo. Aliás, faz jus à promessa feita pelo Presidente da República no seu discurso de investidura.

Resta, de agora em diante, aprimorar os mecanismos de fiscalização e controlo da implantação desses projectos, de modo a que não sejam somente mais empreendimentos, mas consubstanciem mais-valia, no compromisso político de servir cada vez melhor os moçambicanos, no barco que está a atravessar o alto-mar.

Esses mecanismos deverão ser consistentes e inexoráveis, face à clandestinidade que, infelizmente, subsiste no tratamento dos recursos minerais do país. Não se pode continuar a assistir, passivamente, a determinados fenómenos tristes, enfadonhos e a todos os níveis abomináveis, como as mortes em minas de garimpo em Manica ou em Nampula, só para citar alguns exemplos, em que nacionais pelejam com estrangeiros que vêem no país e na actividade fonte para o enriquecimento fácil.

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