CTA defende criação de parques industriais próximos das áreas de operação dos grandes projectos
A Confederação das Associações Económicas (CTA) Moçambique, defende a implantação de parques industriais próximos das áreas de operação dos grandes projectos, visando facilitar a integração das empresas locais nas cadeias de valor da indústria extractiva e energética.
Falando nesta quinta-feira (07), em Maputo, no segundo e último dia da 12.ª Conferência e Exposição de Mineração e Energia de Moçambique (MMEC 2026) a representante da CTA, Kátia Santos, explicou que o desenvolvimento destes parques industriais deve acontecer numa primeira fase nos projectos já existentes, sobretudo nas províncias de Cabo Delgado (Norte de Moçambique) e Inhambane (Sul de Moçambique).
Para o efeito, a representante da CTA destacou que o desenvolvimento do conteúdo local no País deve ser visto como um processo gradual. Neste sentido, “o conteúdo local deve ir além do sector de petróleo e gás, abrangendo igualmente áreas como mineração, turismo, agro-indústria e logística”.
Entretanto, segundo a fonte, apesar do processo ser gradual, persistem ainda barreiras ligadas às dificuldades de certificação, acesso ao financiamento e falta de previsibilidade sobre concursos e oportunidades disponíveis nos grandes projectos. “Muitas empresas não estão ainda preparadas para responder aos requisitos da indústria, sobretudo nas áreas mais técnicas”, referiu.
Para responder a estas limitações, a CTA está a promover iniciativas para promover maior transparência e circulação de informação, incluindo divulgação de concursos, oportunidades de emprego, programas de capacitação e mecanismos de financiamento através de plataformas digitais.
A este respeito, o Governo através do Instituto Nacional de Petróleo (INP) assegurou que as multinacionais do sector petrolífero estão cada vez mais disponíveis para a integração de empresas moçambicanas e promoção do conteúdo local nos grandes projectos de gás natural.
Segundo a administradora do INP, Inocência Maculuve, apesar dos desafios ainda existentes, têm-se registado progressos significativos desde 2018, período em que o debate sobre conteúdo local começou a ganhar maior expressão no País.
“O conteúdo local continua a ser uma matéria relativamente recente em Moçambique, tanto do ponto de vista regulatório como operacional, sobretudo devido à juventude da indústria petrolífera nacional”, concluiu.
(Foto DR)
